[52 Semanas] Semana 26: Se eu pudesse trocar de profissão, eu seria…

Eu, como grande parte das crianças, quis muito ser veterinária uma época, mas exclusivamente porque eu gostava muito de cães e gatos (e ainda gosto, vocês bem perceberam, hahaha). Eu também quis ser arqueóloga uma época, porque eu tinha certeza que iria encontrar uma tumba egípcia perdida ou descobrir um fóssil de dinossauro intacto. Lembram da época em que a Revista Recreio vinha com uns brindes que você tinha que "escavar"? Pensa numa criança que ficou MALUCA com essa história. Também já quis ser modelo, atriz, cantora, uma infinidade de coisas.

Apesar de eu cursar Direito, e não ter a menor dúvidas de que vou terminar o curso e de essa foi a faculdade ideal para mim, eu já não posso dizer com tanta certeza que eu vou seguir carreira como advogada ou prestar um desses concursos públicos clássicos que todo mundo começa a faculdade tão certo de que vai fazer. Felizmente, é uma faculdade que me fornece um grande leque de opções, e mesmo que eu termine fazendo algo que não tenha qualquer relação com a área, nunca será um estudo desperdiçado. Mas, para fazer este post, vamos fazer de conta que a minha profissão seria a advocacia. Essas aqui são as outras profissões que eu consideraria ter, em paralelo ou substituindo advogar:
Reprodução / Pinterest

- Escritora.
Eu sempre quis ser escritora, antes mesmo de querer ser veterinária quando era menininha, hahaha. Esse é um sonho, ou um objetivo, que eu nunca abandonei, e que facilmente anda de mãos dadas e trocando beijinhos com a área jurídica. Se tem uma coisa que advogado adora fazer, é publicar livro, e na maioria das vezes sem ter nenhuma relação com a área de atuação. 
Vou confessar que essa onda medonha de blogueiros/youtubers publicando livros escritos do dia pra noite tem quebrado meu pobre coração em pedacinhos e me fazendo tratar esse meu desejo com mais cuidado. Francamente, eu já folheei os livros de algumas dessas pessoas que estão "em alta" e me senti ofendida de verdade... Quero dizer, um livro jamais deveria ser produzido ou tratado dessa forma, escrever é algo sério que demanda muito tempo, preparo e dedicação! Então, se algum dia vocês virem um livro meu nas prateleiras, podem apostar que não vai ser uma biografia dos meus longos vinte e tantos anos ou um compêndio de historietas que não têm nada para dizer. Eu só seria capaz de publicar algo de que eu realmente me orgulhasse, então eu não sofro fazendo esse objetivo esperar mais uns anos. 

- Empresária
A ideia de abrir e gerir uma empresa é bastante realizável. Lógico que é um jogo de gente grande e eu honestamente não acredito que eu conseguiria sozinha, mas, se feito do jeito certo, tudo indica que seria uma carreira muito promissora.

- Estilista
Saindo um pouco da minha realidade e indo para profissões com as quais eu só sonho, até porque sei que não são pra mim. Se eu tivesse o talento e o espírito, eu COM CERTEZA adoraria trabalhar com moda e criar coisas novas, diferentes, maravilhosas e ousadas. Eu traria a moda gótica/vitoriana/steampunk de volta, podem apostar, e seria responsável por criar fantasias incríveis também. Todo mundo sabe que o gótico é o novo cool

- Fotógrafa
Eu tenho planos reais de fazer um curso de fotografia, investir em um equipamento aceitável e pelo menos ter alguma ideia do que eu estou fazendo por aqui. Eu acho a fotografia algo LINDO e, se não uma profissão, pelo menos me seria um hobby bastante agradável (e, de quebra, deixaria o blog mais bonitinho). Eu sei que eu não teria a menor condição de fazer uma faculdade de fotografia, por exemplo. Só de pensar em calcular ângulo de lente já me dá um arrepio, mas, se as coisas fossem um pouquinho diferentes ou se eu tivesse um botão mágico de "I wanna be", fotógrafa com certeza estaria na lista.

Tudo sobre Evey Vader em: A Conquista do Gatinho!


Eu amo todo o tipo de bicho. Aos vinte e dois anos eu ainda tenho o mesmo plano que tinha aos oito, de ter uma fazenda gigantesca com todos os bichos de rua do mundo. Mas, quem me conhece sabe que a minha pira mesmo são os felinos: eu nasci e vou morrer a completa louca dos gatos, e não há nada que alguém possa fazer a respeito.

Passei toda a minha infância em São Roque brincando com os gatos de rua (que não eram poucos). Frequentemente mudava meu caminho e me enfiava nuns lugares loucos porque fui atrás de um gato - tipo Alice sem a parte do coelho branco. Nunca tive o menor medo de ser mordida ou arranhada e das consequências (que eu nunca sofri, inclusive, acho que Deus realmente protege as crianças e os tolos). Também sempre tive gatos de estimação e adorava brincadeiras ogras, então eu vivia coberta de mordidas e arranhados. Agora, morando em São Paulo, encontrar um gato de rua é muito mais difícil nos meus trajetos, e eu estava preparada para deixar a minha fase de correr atrás de animal sem dono para trás... SÓ QUE NÃO.
 
Evey na gatoeira, quando foi capturada (esquerda) e ela no terceiro dia com a gente (direita).
Eu sempre passo por um estacionamento no meu trajeto casa - ponto de ônibus pra ir trabalhar ou então casa - faculdade e a volta, e existem dois carros abandonados nesse lugar. Uma noite, no meu caminho para a faculdade, descobri duas meninas agachadas no concreto entre esses carros, procurando alguma coisa por baixo deles. Fiquei lá tempo o suficiente para ver um gatinho preto disparando por entre as minhas pernas e atravessando a rua, escondendo-se sabe-se lá aonde, com as meninas correndo loucamente atrás. Pois bem, quem cresceu correndo atrás de bicho sabe: uma vez que o gato vai pra lugar aberto, não tem quem pegue. Só o que eu pude fazer foi dar de ombros e torcer para que ele fosse capturado. Desde esse dia, eu dava uma olhada mais atenciosa no estacionamento quando passava por lá, mas nunca via e nem ouvia nada.

Passou quase um mês, São Paulo entrou naquela frente fria deliciosa e terrível e, em uma das primeiras manhãs de sol depois de noites à 12ºC ou menos, lá estava ele: todo encolhido na frente dos carros, se esquentando como podia, miando pra deixar todo mundo saber que ele estava ali. Não tive dúvidas: desci do salto, larguei a bolsa no chão, me enfiei por entre as barras do estacionamento e ajoelhei no cimento, tentando chamá-lo com aquele psst psst psst clássico que todo mundo sabe que não funciona mas tenta assim mesmo. Depois de ser completamente ignorada, abri a marmita do almoço e despejei metade do frango no chão, e aí o bichinho praticamente se materializou do meu lado. Morto de fome, mas com mais medo ainda, ele abocanhava o tanto que podia e voava de novo pra de baixo dos carros, e não havia viva alma que conseguisse tirá-lo de lá. Admiti a derrota, sacudi a poeira, calcei os sapatos e fui trabalhar. Desnecessário dizer que passei o dia inteiro com o gato na cabeça e, quando contei a aventura pro Euclides, ele aceitou o desafio na mesma hora (eu sempre soube que tinha um louco dos gatos escondido ali em algum lugar).


Naquela noite, antes da aula, voltamos pro estacionamento munidos de muita paciência e frango quentinho. Tentamos por quase uma hora (hora que eu passei deitada no concreto imundo tentando me enfiar por baixo dos carros, como se isso fosse possível), sem conseguir nada além de um gatinho assustado e satisfeito. Passamos em duas pet shops próximas procurando conselhos, e a atendente de uma delas disse ter contato com uma ONG que podia emprestar uma gatoeira pra gente, mas que aquela noite teria que continuar no improviso. Encontramos uma amiga que topou nos ajudar, fomos pra casa e voltamos com mais frango, um balde pra fazer as vezes de armadilha e uma toalha molhada pra jogar em cima caso ele tentasse fugir (dica da petshop). Ao fim de mais de uma hora, só o que tínhamos era um gato tão de barriguinha cheia que ele se enfiou no ninho de folhas que tinha feito embaixo de um dos carros e dormiu, e nós três sujos e com roxos nas pernas de ficarmos agachados por aí. Também acabamos fazendo vários amigos da região, porque, ao que parecia, muita gente deixava comida e tentava pegar o gatinho, igualmente sem sucesso.
 
Evey no quinto dia aqui em casa.
Eu dormi com o coração na mão. Não tinha esperanças de que A Conquista do Gatinho (hashtag que eu usei para contar a história no Twitter) fosse rápida, mas estava disposta a tentar todos os dias até conseguir. No entanto, imaginem a minha surpresa quando, na tarde seguinte, voltando do trabalho pra casa, recebi uma mensagem do Euclides dizendo que ele e a menina do petshop, munidos da famigerada gatoeira e de uma quantidade absurda de sardinha, conseguiram pegar o gato! Se vocês não conseguirem imaginar, eu descrevo: eu parei no meio da rua e comecei a chorar, pra depois sair correndo pra petshop como se a minha vida dependesse disso, sorrindo de forma tão maníaca que minhas bochechas adormeceram.

Dentro da gaiola, o gatinho estava furioso, assustadíssimo e a tigela, antes cheia até a boca, agora estava vazia. E eu fiquei lá, toda boba, olhando para aquela bolinha de pelo preto e olhos amarelos gigantescos que miava freneticamente, com a coitada da Thalita, a menina do petshop, tentando me convencer de que eu podia sentar e largar a bolsa em algum lugar, que o gato não ia escapar da gaiola.
O Euclides ficou por volta de duas horas com a armadilha posicionada e o pote de comida dentro, e o gatinho era tão ligeiro que tentava pegar a comida por fora das grades. Ele só conseguiu mesmo quando a Ana, uma das meninas que deixava comida e água pro gato, parou para ajudar e teve a ideia brilhante de fazer uma trilha de ração até a gatoeira. No entanto, tudo aquilo teria sido muito mais rápido se não fosse por gente inconveniente que parava pra olhar e, entendendo a situação, começava a dar escândalo com OH MEU DEUS GATINHO QUE BONITINHO GATINHO VEM AQUI VEM PSST PSST PSST GATINHO, levando tudo por água abaixo e assustando o coitadinho ainda mais. Por sorte, ninguém foi agredido durante A Conquista do Gatinho - mas só porque eu não estava lá.

O veterinário chegou pouco tempo depois. A ideia era vacinar e fazer todos os exames possíveis na hora, mas nós, além de descobrirmos que na verdade era uma gatinha, descobrimos também que ela estava com uma infecção nos dois ouvidos, que só depois nós descobrimos o quão séria era. Assim que a pegamos no colo ela começou a ronronar tão alto, mas tão alto que dava pra ouvir do lado de fora da sala - e o veterinário disse que ela provavelmente nunca havia recebido carinho na vida (chorei de novo). Ela não reclamou ao tomar as injeções de antibiótico e anti-inflamatório, e me deixou aplicar remédio nos ouvidos dela tranquilamente. Compramos tudo o que ela precisaria e fomos pra casa com ela na gaiola.
Essa foto foi tirada dia 15, quando ela começou a subir no sofá e na cama pra ficar do nosso lado. O. Tempo. Todo.

Os primeiros dias de adaptação foram tensos pra todo mundo, principalmente para ela. Ela, que nós batizamos de Evey (Evey Vader, já que ela foi resgatada em May the 4th), passou os dois primeiros dias escondida em cantinhos da casa. No começo nós usávamos luvas de couro para arrastá-la pra fora dos esconderijos, mas paramos quando percebemos que ela é a gatinha mais mansa do mundo, e nunca tentou atacar nenhum de nós. A infecção estava tão séria que ela não movimentava as orelhas ou a cabeça, e isso, além de provavelmente doer MUITO, atrapalhava todo o seu balanço. Nós ainda passamos remédio todos os dias, e ela já movimenta as orelhas, balança a cabeça e se coça (nem se coçar ela fazia antes).

No começo a Evey simplesmente não sabia o que significa brincar. Ela tinha medo dos brinquedos, e olhava feio para as bolinhas de papel porque elas não eram de comer. Ela também estava tão acostumada a passar fome que se forçava a comer tudo o que nós colocávamos no pote na mesma hora.

A evolução diária dela é impressionante. A gente brinca que ela finalmente é um gato de verdade, que senta no meu computador e desconfigura o teclado inteiro, que dorme na cama com a gente e que corre atrás do pontinho vermelho do laser. Eu também evoluí, e parei de chorar por qualquer coisinha que ela faça, hehe.
O pelo dela, que antes caía aos tufos, agora está brilhante e macio, e ela continua sendo um terremoto em forma de gato quando ronrona. Inclusive, foi assim que nós a encontramos quando acordamos um dia e ela havia simplesmente desaparecido: ela tinha se enfiado por dentro do estofamento do sofá, e a almofada em que eu estava sentada estava VIBRANDO com o ronronar dela.

Nós corremos muito para deixar a casa pet-friendly rápido, e a primeira coisa que fizemos foi instalar as redes de proteção nas janelas, e ela ama ficar encostada nelas sentido a brisa (pelo amor de deus, se você tem um gato num apartamento, COLOQUE essas redes de proteção, eles são loucos por ficar deitados no parapeito e, se não tiver a proteção, eles vão cair). Outro lado positivo da rede é que ela protege os amigos bêbados também, hehe. 
A Evey também é muito mais nova do que o veterinário suspeitou, eu dou no máximo quatro meses pra ela, já chutando um pouquinho alto.
 
Ame seus gatos e proteja suas janelas. Essa foto foi tirada agora há pouco e está no Instagram.

Ontem teve uma tempestade terrível aqui em São Paulo, de derrubar árvore e matar gente. Caiu uma árvore em cima do estacionamento onde ela foi abandonada, e os carros onde ela vivia ficaram completamente alagados. Dessa vez foi BEM difícil de segurar o choro, rs. Ainda não consigo evitar de pensar que ela morava por ali, e fico pensando em todos os gatinhos abandonados que precisam se virar num clima desses. Adotar um gatinho é a porta de entrada para querer adotar outros 30, então prossiga com cautela (ou não).

Quando eu paro pra pensar, é lógico que não estava nos meus planos adotar, muito menos resgatar um gato antes de terminar a faculdade, mas eu nunca duvidei de que eu e o Euclides tomamos a decisão certa - não, nós tomamos a única decisão que poderia ser tomada, e a Evey só tem trazido alegria pros nossos dias. Acho que eu já não consigo imaginar a vida sem ela, e obviamente adotar mais um gato já está nos planos - embora, talvez, dessa vez a gente espere até a formatura, hahaha. 

Ela obviamente me ~ajudou~ a escrever o post, mordendo a tela do notebook e tentando pegar minhas mãos enquanto eu escrevia. Eu posto coisa dela no Twitter, no Instagram e no Snapchat todos os dias, e em todas as redes você me encontra por marcelafabreti, caso você queira acompanhar a evolução dela em tempo real e se apaixonar tanto quanto eu me apaixonei. Digam oi pra Evey! ;)

[52 Semanas] Semana 25: Tenho aflição de...

- Cócegas

 Não precisa nem ser cócega de verdade, você coloca o dedo em mim e eu já me jogo no chão. Meu cérebro buga e minha autodefesa geralmente é ridícula do tipo tentar esfaquear o Euclides com uma colher (true story), ou então de repente eu descubro todo o meu potencial de lutadora de judô.

- Gente que come de boca aberta
Pouca coisa me deixa tão aflita quanto conseguir ouvir outra pessoa mastigando. A minha vontade realmente é bater a cabeça contra a parede até o barulho parar.

- Esmalte descascado
Aquela foto estilo tumblr super linda e despojada que tá todo mundo elogiando? Perdeu meu like porque a menina tá com o esmalte todo comido. Não consigo, não consigo mesmo, me dá um ruim só de pensar. Subiu até um arrepio aqui só de falar nisso.
Nota: eu, obviamente, não tenho nos meus likes do Tumblr nenhuma imagem que tenha esmalte descascado, então eu vou passear uns minutinhos pela timeline and in no time uma imagem dessas vai estar por aqui porque ELAS ESTÃO POR TODA A PARTE.

- Unha torta/cada uma de um tamanho
Eu sou extremamente vaidosa e cuidadosa com as minhas mãos e unhas, então é de se esperar que boa parte das minhas aflições sejam voltadas para esta parte do corpo. Sabe aquela menina que quer deixar a unha quadrada e gigantesca, mas cada unha tá apontada pra um lado diferente? Ou então a pessoa que tem todas as unhas maravilhosamente grandes -- menos uma, que quebrou na carne e ela deixou assim por dó de cortar as outras? Menina, se você passar perto de mim eu vou te atacar com uma tesourinha. É sério.

- Roupa amassada
Gente, essa história de que a roupa não precisa passar ou que ela "passa no corpo" é men-ti-ra. Você vai passar por mim e eu vou olhar e julgar TODOS os amassados da sua roupa. Só não digo que vou te atacar com um ferro de passar porque eu estudei Direito Penal o suficiente pra saber que isso dá merda.

Perdoa a paranoia e não desiste de mim. 

#LendoSandman: A Casa das Bonecas


Dando continuidade ao projeto de leitura Lendo Sandman, idealizado pelo blog Pipoca Musical, no post de hoje eu vou contar um pouquinho pra vocês sobre A Casa das Bonecas, ou os volumes 9 a 16 da série, que contém algumas das minhas histórias favoritas, incluindo a primeira delas. 

Tendo o Sonho recuperado suas ferramentas e o poder sobre o próprio domínio - O Sonhar - além do pouco apresso que ele tinha pela própria existência, nesse volume nós somos primeiramente apresentados à lenda de Nada, contada de pai para filho de uma tribo de guerreiros do deserto. Segundo a história, aquela terra seca e abandonada era, antigamente, um vale rico e fértil, e aquela nação, os primeiros homens que andaram sobre a terra, eram governados com bondade e justiça por Nada, uma rainha jovem e sábia que não acreditava haver, no mundo, homem que pudesse comandar ao lado dela. O único homem por quem ela se apaixona é um estranho visitante que desaparece assim que é visto e que, mais tarde descobrimos, trata-se do próprio Sonho, de forma que o romance entre ambos é algo impossível, já que ele está acima de homens e deuses.


Talvez aqui seja a primeira vez em que temos certeza de que o Sonho (por maior que seja a minha crush nele) é uma entidade infantil, mimada e teimosa, além de impensavelmente poderosa. Nós, que o acompanhamos em sua descida ao Inferno, sabemos qual foi o castigo de Nada por rejeitá-lo para tentar salvar seu povo.

Nós também somos apresentados pela primeira vez às irmãs gêmeas dos Eternos: Desejo (que às vezes é homem, às vezes mulher) e Desespero. Ambas são cruéis de sua própria maneira, e ambas gostam de brincar com o reino e a certeza de seu irmão mais velho - e isso vai tomar proporções descontroladas no futuro da história. Também conhecemos a humana Rose Walker, o Vórtex do sonhar dessa nova Era, capaz de entrar e sair do reino de Sonho sem querer e sem ser convidada e que, além disso, representa um potencial perigo de absoluta destruição do mundo através do sonho. É uma preocupação a mais, além dos quatro habitantes do Sonhar que desapareceram enquanto seu senhor era prisioneiro.

Rose é uma adolescente comum, com mais problemas do que gostaria de ter. Ela recentemente descobriu-se neta de Unity - uma das muitas pessoas afetadas pela prisão de Sonho, e que passou a maior parte de sua vida dormindo, inclusive não estando acordada durante a concepção e nascimento de sua filha. Agora, desperta pela primeira vez em décadas, Unity quer reunir a família que ela nunca conheceu, levando Rose e sua mãe para Londres. O irmão menor de Rose, Jed, no entanto, está, teoricamente, aos cuidados da família do pai. O que elas não sabem é que sua "família" o mantêm em condições horríveis e desumanas, tendo como único consolo o lugar mágico para onde vai quando sonha. Em seus sonhos ele frequentemente encontra o Sandman: um divertido super-herói que leva sonhos bons para todas as crianças. 

A partir daí, localizar Jed torna-se missão de Rose, enquanto localizar Brute e Glob, dois dos pesadelos que escaparam do Sonhar, torna-se a missão de Morpheus. As duas criaturas esconderam-se dentro da mente de Jed, erguendo ao redor de si um novo Sonhar, levando para lá, inclusive, um novo Sandman (que é, inclusive, Hector Hall, um personagem bastante recorrente do universo DC-Vertigo) e Lyta, sua esposa, uma antiga super-heroína que, grávida, sente que sua mente se esvai a cada dia dentro do "Sonhar" onde ela vive. 

Como se não tivéssemos problemas suficientes, o Coríntio também está à solta no mundo humano. Ele, que foi criado para ser a personificação antropomórfica do medo do escuro e do desconhecido, encontrou no assassinato em série um hobby à sua altura. Ele, inclusive, inspirou uma série de seriais killers pela América, e está à caminho de encontrá-los em uma convenção bastante única... No mesmo hotel em que Rose e Gilbert - seu vizinho e amigo, que é muito mais do que aparenta - estão hospedados... Com Jed sequestrado no porta-malas e, ah, eu já disse que a Rose é uma potencial arma de destruição mundial, certo? 


Lógico que nem tudo são problemas e mortes horríveis. Entre todos estes acontecimentos nós temos uma história meio flashback sobre um homem que, um belo dia, decidiu que não ia morrer... E não morreu. Curioso e, ainda que não quisesse admitir, solitário, Sonho vê neste homem um amigo, e o encontra há cada século, acompanhando os altos e baixos da vida daquele homem que, não importa o tamanho da desgraça, sempre quer continuar vivo, porque ainda há muita coisa a ser vivida. 


E, se vocês me perguntarem, daqui pra frente a história fica cada vez melhor. 

Pare o que está fazendo e vá assistir Vikings.


Eu nunca pensei que fosse falar uma coisa dessas com tanta certeza, mas aí vai:
 
Vikings é a melhor série passando atualmente.
(toma essa, Game of Thrones).
 
Eu honestamente acho improvável que você nunca tenha ouvido falar de Ragnar Lothbrok, Rollo, Bjorn ou Lagertha rainha da porra toda, mas, se por acaso você não é lá muito chegado em séries ou nunca deu muita bola pro History Channel, ou, sei lá, morou em Marte pelos últimos anos e acabou de chegar de viagem, aaaah meua migo, eu estou aqui para mudar a sua vida. Mas não espere uma aula sobre a série desde o começo, porque se eu começar eu não paro mais, então vamos nos ater à temporada atual.
 
A quarta temporada de Vikings foi encerrada recentemente, depois de dez episódios, um melhor e mais brutal do que o outro, e a série daqui pra frente só vai ficar melhor - isso porque eles vão começar a abordar a fase mais insana da história viking.
 
Nesta temporada nós acompanhamos, principalmente, a ascensão de Rollo na nobreza francesa, que começa de maneira absolutamente catastrófica e termina sendo a melhor decisão que aquele reino já tomou. Os episódios giraram em torno do grande ataque viking à Paris e da rivalidade que nasce entre os dois irmãos, já que um deles agora está do lado oposto do tabuleiro, ficando no caminho entre os vikings e o que eles mais gostam: ouro, sangue, as glórias da guerra e muita violência gratuita.
 
Além disso, nós - finalmente - começamos a ver o desenvolvimento dos filhos mais novos de Ragnar, e o queridíssimo, fofíssimo do Ivar (the boneless) já diz a que veio logo de cara. Traduzindo: o pirralho tem todo o potencial que uma máquina de matar deve ter. Sobre o Bjorn, não há o que dizer, ele está mais do que preparado para substituir o pai. Ele inclusive tem um momento "O Regresso" de autossuficiência e teste de resistência e, além de ser um dos meus plots favoritos da temporada, também contém uma das cenas mais violentas e aflitivas. Até eu, que adoro uma violência e brutalidade ao melhor estilo Tarantino, terminei o episódio boquiaberta, tão jogada contra o sofá que um desavisado pensaria que eu estava tentando me tornar um só com o estofado, ou então, bem...
 

Outra coisa que eles exploraram mais nessa temporada, principalmente no arco do Floki (<3) foi a mistura da mitologia nórdica com o cristianismo, de maneira sensata, equilibrada e totalmente dentro da trama. A série sempre teve essa coisa legal de levar pra vida dos personagens aquilo em que os vikings de verdade acreditavam. Isso resulta em altas visões, umas brisas muito loucas. Nos primeiros episódios rolou, inclusive, a adaptação de toda a história do julgamento e punição de Loki pra vida real dos personagens. E, uma vez que o cristianismo marcou presença no "reino" deles, características cristãs também aparecem de um jeito ou de outro.
 
E, lógico, um dos pontos mais legais da série é que, querendo ou não, você aprende muito assistindo. Se vocês pesquisarem as construções utilizadas no primeiro ataque à Paris, vão perceber que a série retratou com muita fidelidade o que foi historicamente documentado. Vendo a série sem conhecer os detalhes da História, você aprende sem perceber. Agora, se você assistir a série já por dentro do que realmente aconteceu, tudo fica muito mais legal, porque você já sabe quem são esses personagens, porque eles são importantes e quão incríveis eles serão no futuro e a hype só aumenta para as próximas temporadas. Acho que a minha única ressalva sobre a série continua sendo a mesma desde o começo: o passar do tempo lá é muito complicado. Do nada meses se passaram e você não notou - a menos que você seja muito bom em estimar tempo passado com base no tamanho da barba das pessoas. Em Vikings não tem legenda com "três meses depois" ou coisa assim, não tem nem interrupção do raciocínio, então de vez em quando pode ficar confuso de acompanhar. Na dúvida: sempre passa muito tempo.
 
Vikings nos preparou desde o começo para, eventualmente, nos despedirmos de personagens incríveis - porque as chances de todo mundo lá morrer de algum jeito horrível é quase tão grande quanto em Game of Thrones. Mas, não tem jeito: é sempre uma agonia e uma surpresa, principalmente se você não tem certeza se algo realmente aconteceu ou não (alô, cliffhangers gigantescos). Por outro lado, o desenvolvimento dos personagens é tão bom que a gente eventualmente aceita que eles precisam ir, e temos muita certeza de que pessoas ainda mais legais vão ficar para ocupar o lugar vago. Eles já estão abrindo terreno para cobrir as viagens de Bjorn para o Mar Mediterrâneo, que pode acontecer tanto na próxima temporada quanto daqui duas ou três. Eles eventualmente também cobrirão as aventuras dos outros filhos de Ragnar, e eu não consigo me conter de empolgação para que o Ivar comece a roubar a cena.
 
E, como sempre, é muito importante falar sobre o emporedamento que a série representa. Vikings está repleto de mulheres incríveis e autossuficientes, uma mais fierce do que a outra e sem precisar apelar ou forçar a barra em momento algum. Embora a Lagertha tenha roubado (muito) a cena, não só nessa temporada como na série inteira, ela não está sozinha. Inclusive, uma outra personagem feminina está ganhando cada vez mais espaço, e passa por situações muito interessantes durante a temporada... Digamos apenas que ela sai de um relacionamento abusivo da maneira mais viking possível. Não tentem fazer isso em casa, mas que ela sirva de inspiração pra todo mundo que precise. E não acreditem que são apenas as mulheres nórdicas que são interessantes, as europeias também marcam presença (e a Gisla já ganhou um lugarzinho especial no meu coração).
 
Esses não são, nem de longe, todos os motivos pelos quais você precisa assistir Vikings, mas eu espero que esse post pelo menos te deixe com uma pontinha de curiosidade para ver a série. Confia em mim que vale a pena! Me agradece depois, ou, se você já curte a série e viu a nova temporada, vem ser fã comigo nos comentários! hehehe

[52 Semanas] Semana 24: Casais preferidos (filmes, seriados, livros, etc)

- FemShepard e Thane

 Desnecessário comentar mais. Sofro até hoje.

- Doctor e Rose

Eu tenho um carinho muito grande por esses dois ❤ Eu já gostava dela com o 9th, mas ela com o 10th cresceu eu mim a cada episódio!
- Alice e Julius

Eu tenho um carinho muito grande por Alice in the Coutry of Hearts, e o Julius definitivamente é o meu personagem favorito! E já que a ideia é juntar a Alice com alguém, minha escolha com certeza é ele! hehehe

- Dodola e Zam

Habibi é uma das HQs mais emocionantes que eu já li na minha vida, e duvido que alguma vá ocupar o lugar dela um dia. Dodola e Zam são o casal mais triste e sincero que eu já vi. Eu estou ensaiando há décadas escrever uma resenha por aqui, mas sabe quando o negócio te causa tanto impacto que você engasga na hora de falar sobre? Pois é. Por hora a única coisa que eu posso falar é: leiam.
 

- Sherlock e Watson

Porque todo mundo sabe que eles são um casal. Não tentem me convencer do contrário.

Introduzindo o Projeto Lendo Sandman e correndo atrás do atraso!


Em março desse ano o blog (queridíssimo) Pipoca Musical deu início ao lindo, maravilhoso, incrível, FENOMENAL projeto de leitura Lendo Sandman. Não lembro bem se foi em dezembro ou em janeiro que eles primeiro divulgaram o projeto - lembro que foi na mesma época em que o Euclides me fez prometer não me enfiar em mais nenhum projeto que demandasse muito tempo e posts agendados até o fim do semestre (principalmente porque Os Miseráveis segue estacionado na minha mesa e avança só durante alguns fins de semana). Mas até ele precisou admitir que #LendoSandman era algo bom demais pra deixar passar.

Infelizmente, o projeto teve início em março, durante a época da primeira bateria de provas da faculdade, de forma que eu fui obrigada a atrasar a leitura. Maio também é um mês bastante corrido, mas minha ideia é me organizar com as resenhas e me adiantar bastante com a releitura (essa parte já está em andamento, hehe). E lançar um post por semana do Projeto durante o mês inteiro, até conseguir ficar em dia. Será que eu consigo? Me desejem sorte!
 
Cada capa é uma obra de arte por si só. Enquanto a imagem do meio é uma pintura gigantesca, os detalhes da lateral são objetos reais posicionados em estantes, e o conjunto final é fotografado e editado para virar isso aí que vocês estão vendo.

A história de Sandman começa com Prelúdios e Noturnos, de forma bastante diferente do que vai se tornando. Parece que a ideia inicial era que Neil Gaiman criasse um quadrinho de terror envolvendo super-heróis. No entanto, o ambiente da história definiu seu caminho, e ouso dizer que tornou-se exatamente o que deveria se tornar desde o início.
Tudo começa quando uma seita de autoproclamados bruxos finalmente coleta todos os materiais necessários para performar um ousado ritual com  o objetivo de capturar e escravizar a Morte, acreditando que assim conseguiriam tanto a imortalidade quanto o comando da vida de seus inimigos. No entanto, algo dá errado, e ainda que Magus não saiba exatamente quem ou o quê é o homem extremamente pálido e de olhos que imitam o céu noturno preso em seu círculo mágico, ele sabe que não aprisionou quem queria.

Durante décadas, seu misterioso prisioneiro, despido das ferramentas que usava quando foi capturado (uma bolsa com areia, um capacete de formato estranho e um rubi em uma corrente), permanece imóvel, ignorando todas as propostas e exigências feitas por seus captores. Diferente dele, para quem o tempo não parece ter efeito, as pessoas do lado de fora de sua prisão envelhecem e morrem, e o segredo de sua existência é passado de pai para filho durante setenta anos.
Ao redor do mundo, algumas pessoas pararam de sonhar; algumas não conseguem mais dormir; algumas nunca mais acordaram.
A misteriosa criatura, que não é ninguém menos do que o Sonho (não um sonho, não apenas o Rei e Mestre de todos os sonhos e do Sonhar, mas O Sonho em si), espera pacientemente pelo dia em que, por descuido, o filho de seu captor terminará por libertá-lo, dando início à sua vingança e à busca por suas ferramentas há muito perdidas.


A partir daí nós nos encontramos com vários personagens já conhecidos, como Constantine e integrantes da Liga da Justiça, todos pertencentes ao Universo DC/Vertigo. O percurso de Sonho em busca de seus itens mágicos é extremamente denso, agressivo e até revoltante, ao mesmo tempo em que é maravilhoso e quase libertador. Sua descida ao Inferno para recuperar o elmo contém a frase que mais me marcou na história inteira e na vida, enquanto seu duelo com Dee pela Pedra dos Sonhos é algo absolutamente aterrorizador.

Na época, Neil Gaiman disse que Lúcifer "precisava ser David Bowie, que só seria feito se fosse David Bowie e que, se não fosse David Bowie, então precisaria ser alguém idêntico ao David Bowie". Não tem ninguém reclamando aqui.

E, ao final, Sonho passa por algo tão real, tão humano, que tanto eu quanto você já passamos inúmeras vezes: a depressão da conquista. O não saber o que fazer depois de terminar algo que pensávamos nunca ter fim. A incapacidade de estabelecer imediatamente outro objetivo, depois de concluirmos um que não acreditávamos que alcançaríamos. E é aí que a Morte, sua irmã mais velha, faz sua primeira aparição e lhe dá uma importante lição sobre a vida. 

É desnecessário reforçar o quanto a ambientação e a história são maravilhosos. O traço é algo incomum, de humor próprio, que enche os olhos com a riqueza dos detalhes e se adequa aos personagens, tornando-se algo inconstante - momento em que as várias mudanças de ilustrador são muito bem vindas.

Na minha opinião, é muito fácil sentir-se parte da história. É um mundo em que as casualidades da vida, como a morte ou o destino, não coordenadas por entidades Perpétuas sem que ninguém saiba. É um mundo em que existe mágica, mas que a maioria desconhece. É uma porta aberta para todos os mistérios que nos cercam e a maioria de nós ignora. E, eu gosto de pensar, é exatamente o mundo em que vivemos.

Honestamente, eu posso passar dias falando sobre Sandman, e sinto que o ideal seria dar continuidade com esse projeto em vídeo, já que palavras faladas ocupam menos espaço do que as escritas. Infelizmente isso é algo que eu não posso fazer no momento, mas que definitivamente farei um dia. Espero que vocês tenham gostado, e até o próximo post!
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